O que podemos perguntar aos Espíritos?

O que podemos perguntar aos Espíritos?

Ao nos depararmos com o questionamento acima, de imediato, chegamos a uma interessante conclusão: é possível manter contato com os Espíritos! Daí, passa a ser de fundamental importância o entendimento de como isso ocorre, se esse intercâmbio surge com o Espiritismo ou é anterior a ele e, lógico, o que perguntar então aos que já partiram da experiência na carne.

Falar do contato com os chamados “mortos” é buscar entender uma faculdade muito conhecida na História da Humanidade desde épocas recuadas: a mediunidade, também conhecida como profetismo, paranormalidade, sexto sentido, dentre outras denominações que representam a mesma coisa.

Allan Kardec, ao analisar a mediunidade e os médiuns, na obra “O Livro dos Médiuns”, capítulo 14, afirma que “essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui um privilégio exclusivo”. É fácil perceber essa verdade ao estudarmos, por exemplo, a cultura indiana e os Vedas, o Livro Tibetano dos Mortos, o povo egípcio e o Livro dos Mortos e a própria Bíblia.

E é justamente ao se analisar a Bíblia que muitos evocam, para contestar o contato com o além-túmulo, a proibição de Moisés sobre a comunicação com os “mortos” presente no Levítico, 20:27: “O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles” e Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus” (idem 20:31).

O que pensar de tal advertência? Na verdade, o que a Lei mosaica proibia é justamente o que o Espiritismo não aprova: os abusos, ou seja, o costume que muitos têm de consultar os Espíritos para as mais banais situações (bens materiais, consultas sentimentais, jogos de azar, etc).

O sábio Codificador, mais uma vez na obra “O Livro dos Médiuns”, agora no capítulo 26 (Perguntas que se podem fazer aos Espíritos), indaga aos imortais: Que pensar das pessoas que só veem nas comunicações espíritas uma distração ou um passatempo, um meio de obter revelações sobre questões de interesse pessoal? A equipe do Espírito de Verdade alerta: “Os Espíritos inferiores gostam muito dessas pessoas que, como eles, gostam de se divertir, e ficam satisfeitos quando as mistificam”.

Reforçando a ideia de que as perguntas dirigidas aos Espíritos precisam se revestir de seriedade, no mesmo capítulo, quando Kardec questiona se eles podem nos desvendar o futuro, os Imortais são enfáticos: “Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente. A manifestação dos Espíritos não é meio de adivinhação”.

O médium e orador baiano Divaldo Pereira Franco recorda que a mediunidade é, antes de tudo, uma oportunidade de servir; bênção de Deus que faculta manter o contato com a vida espiritual. Graças a ela, o homem pode aproveitar as informações dos que o precederam na viagem de volta à Vida Verdadeira e se conscientizar das suas responsabilidades de espírito imortal.

Daí a importância de se coletar do mundo espiritual informações para nossa edificação e instrução, lembrando que o fim essencial e exclusivo do Espiritismo, que nos faculta o intercâmbio seguro com o Além, é a nossa melhoria moral e para atingi-la, os Espíritos se comunicam, oferecendo-nos exemplos que poderemos aproveitar.

Concluindo esta breve reflexão, recordamos a mensagem “A quem muito foi dado, muito será pedido” de O Evangelho segundo o Espiritismo, no seu capítulo 18 (Muitos os chamados e poucos os escolhidos): o primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar, nos conselhos dados pelos espíritos, alguma coisa que lhe diga respeito. Aproveitemos, portanto, os ensinamentos dos amigos espirituais a fim de contribuirmos de maneira eficaz para a construção de uma sociedade mais razoável, mais lúcida quanto aos seus deveres sociomorais, enfim, mais espiritualizada.