Como estar no mundo sem ser do mundo?

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Por Allan Marques

homem no mundoEstar no mundo atualmente constitui grande desafio para homens e mulheres encarnados na Terra. Violências de toda ordem, crises político-econômicas, o apelo consumista, a busca incessante por coisa nenhuma, tudo isso reflete o quadro de aparente instabilidade que domina o planeta.

Viver nesses tempos e não se deixar envolver pelos “ruídos” tormentosos que chegam até nós, ou seja, estar no mundo, sem ser do mundo, exige do filho de Deus, sincero nos seus propósitos de mudança, uma conduta equilibrada e saudável. Mas, pergunta-se: como conseguir agir assim em meio a tantos apelos?

O nobre Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, na obra O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 17, intitulado Sede perfeitosna mensagem “O homem no mundo”, apresenta a proposta para se viver o presente com o olhar no futuro. Na verdade, as informações registradas em Bordéus, 1863, são trazidas por um Espírito Protetor, que diz: “Vivei com os homens do vosso tempo, como devem viver os homens, pois a virtude não consiste em repelir os prazeres que a condição humana permite”. Arremata o amigo espiritual: “Sede felizes! Mas que na vossa felicidade não entre jamais um pensamento ou um ato que possa ofender a Deus”.

Estar no mundo é para todos, mas não ser do mundo exige esforço daquele que busca ser feliz agindo em conformidade com as leis divinas. O Espírito Emmanuel, na mensagem “O cristão e o mundo”, do livro Caminho, Verdade e Vida, psicografia de Chico Xavier, alerta: “ninguém julgue fácil a aquisição de um título referente à elevação espiritual”.

Emmanuel, sabiamente, nos remete à comodidade do comportamento dito “normal” na Terra, afirmando que “quando o homem comum descansa nas vulgaridades e inutilidades da existência terrestre, ninguém lhe examina os passos. Suas atitudes não interessam a quem quer que seja”. Todavia, “em lhe surgindo a erva tenra da fé retificadora, sua vida passa a constituir objeto de curiosidade para a multidão”.

Fazer diferente da maioria não é tarefa fácil, ainda mais num mundo que nos impõe um ritmo acelerado e onde a velocidade com que as coisas acontecem mal nos dá tempo de saborear o que estamos vivenciando. Ainda segundo o benfeitor já mencionado, “muitos aprendizes desanimam e voltam para o lodo, onde os companheiros não os vejam”. Realmente, a proposta é desafiadora, mas plenamente possível de ser executada, principalmente quando contamos com a informação espírita a nos apontar o rumo que precisamos seguir.

Interessante notar que há questões do cotidiano, aparentemente simples, que nos põem à prova quanto à condição de “homens no mundo que não são do mundo”. Observemos o dinheiro, por exemplo. A princípio, o recurso econômico à nossa disposição é neutro. Mas, segundo o uso que lhe damos, pode se transformar em escada de acesso a patamares mais elevados ou rampa de degradação moral. Depende de nós!

Outro exemplo nos é dado pelo Espírito Camilo, mentor espiritual do médium Raul Teixeira, na obra Minha família, o mundo e eu, quando aborda no item “Em tuas festas familiares” a responsabilidade do filho de Deus que abre as portas do seu lar para receber convidados. Ele alerta: “evita tudo o que caracterize desequilíbrio, desarmonia, sob as máscaras de pretensa alegria”. E continua: “afasta qualquer tipo de droga do teu evento – a começar dos alcoólicos que costumam abrir portas a outras substâncias ilegais”.

Então, como agir? É a questão proposta por aquele com o desejo sério de acertar mais e errar menos. Quem nos auxilia a responder é Joanna de Ângelis, na obra Rejubila-te em Deus, quando nos propõe o exercício do desapego.

Ela nos diz: “títulos, posições de destaque, beleza e harmonia somática não são de caráter permanente na estrutura do ser imortal”. Relata ainda a benfeitora que o desapego deve se constituir-se proposta essencial para a conquista da harmonia interior. “Exercita-te em possuir sem deixar-te asfixiar pela posse possuidora” afirma Joanna.

Em verdade, precisamos aprender a nos livrar das coisas e das aparências, não sofrendo porque possuímos ou deixamos de possuir. “Contenta-te em ser o mesmo sempre, jovial e alegre, numa ou noutra situação” conclui a amiga espiritual da Humanidade.

Em tempos de mudança, como os vividos atualmente, podemos colaborar para a construção do mundo melhor, tão sonhado pela Humanidade, fazendo efetivamente a nossa parte: sendo cristãos! No trabalho incessante do bem, convivendo com as pessoas que nos rodeiam, sejamos as cartas vivas do Evangelho, exemplos de fraternidade sincera, demonstrando que é possível estarmos no mundo sem sermos propriamente daqui, já que a nossa morada verdadeira é o Universo!


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